Lembro que ouvi em algum lugar que a solidão é o destino de todos. De vez em quando esse pensamento ainda retorna. Não sei se concordo ou se discordo, até hoje não tive coragem o bastante para parar e pensar sobre isso. Mas ultimamente essa frase tem aparecido em minha mente com certa frequência. Ainda me esforço para não abrir meus olhos demais, não quero acreditar em tudo o que vejo, sei que muito do que está aí fora não é verdade. Mesmo assim, me assusta um pouco pensar que pode ser verdade, já que agora não me agarro mais a coisa alguma. Logo agora que aprendi a deixar ir embora tudo o que (e quem) tiver de ir. Agora sinto medo. E se todos realmente forem? Não terei direito nenhum de querer que fiquem. Tudo o que posso fazer é esperar que queiram ficar. E faço o meu melhor para que isso aconteça, com todas as pessoas com quem convivo. Não sei se é o bastante, mas estou tentando.
Pode até ser que o destino seja a solidão, mas acho que é meu dever tentar contrariar o destino. Afinal, não é a primeira vez que faço isso. E se alguém realmente quiser ir, deixo que vá. Se um dia quiser voltar, volte. Se não voltar, fica a saudade. Mas sempre há um espaço aqui, sempre há um espaço...
sexta-feira, 6 de novembro de 2009
segunda-feira, 26 de outubro de 2009
Proximidade.
Às vezes, quando o medo é grande e o dia chega ao fim, surge a vontade de não dormir. Em vez de se deitar, ela se senta ou se ajoelha na cama, no escuro mesmo, e olha para cima. Seus olhos encontram as estrelas de mentirinha que habitam o teto do quarto. Elas se esforçam para brilhar tanto quando as estrelas de verdade, a diferença é que estão muito mais perto. Se ela esticasse o braço e se erguesse um pouco mais, poderia tocá-las com a ponta dos dedos.
Às vezes é bom sentir-se perto de algo, mesmo que sejam apenas estrelas de mentira.
Às vezes é bom sentir-se perto de algo, mesmo que sejam apenas estrelas de mentira.
quarta-feira, 21 de outubro de 2009
Só.
Em uma situação dessas, algumas pessoas costumam chorar. Outras tentam rir, mas é só para esconder as lágrimas. Algumas preferem conversar, pedir conselhos. Ainda existem aquelas que tentam ignorar os fatos e aquelas que preferem se calar.
Eu faço parte daquele outro tipo de pessoa. Eu escrevo. Escrevo porque não tenho opção, porque isso é uma parte intrínseca de mim, não tenho escolha. Ainda bem.
E escrevo só por isso mesmo. Sem nenhuma outra intenção. Não estou tentando provocar lágrimas ou sorrisos, embora isso realmente me deixe feliz quando acontece. Mas não, eu só escrevo. E é com palavras tímidas que confesso. Tão tímidas que não ouso nem assinar embaixo das pequenas palavras. Não é o meu nome que importa no papel. Desconfio que nem as palavras importam. O que importa é o ato. Simples e puro. E é só.
Eu faço parte daquele outro tipo de pessoa. Eu escrevo. Escrevo porque não tenho opção, porque isso é uma parte intrínseca de mim, não tenho escolha. Ainda bem.
E escrevo só por isso mesmo. Sem nenhuma outra intenção. Não estou tentando provocar lágrimas ou sorrisos, embora isso realmente me deixe feliz quando acontece. Mas não, eu só escrevo. E é com palavras tímidas que confesso. Tão tímidas que não ouso nem assinar embaixo das pequenas palavras. Não é o meu nome que importa no papel. Desconfio que nem as palavras importam. O que importa é o ato. Simples e puro. E é só.
quarta-feira, 7 de outubro de 2009
Uma certeza.
As lágrimas ainda escorriam silenciosamente pelo seu rosto, a expressão séria, o olhar perdido. Diante disso, minha única reação foi me sentar ao seu lado. O que mais eu poderia fazer?
Queria dizer que tudo vai ficar bem, mas você já sabe disso.
Queria dizer que o pior já passou, mas isso não é verdade.
Queria dizer que a vida é difícil mesmo, mas não acho que isso te animaria.
Preferi me calar.
Um suspiro longo e você me olhou como se agradecesse por algo, mesmo sabendo que eu não havia feito nada. Mas eu estava ali. Tive vontade de dizer isso em voz alta e dizer que sempre estaria ali. Mas pude ver pelo seu olhar que você já sabia disso. E conclui que por enquanto isso é o suficiente.
Mais tarde, vou te lembrar do quanto você é forte. Vou te lembrar de todas as coisas que já fez e tudo pelo que já passou. E vou dizer o quanto te admiro.
Mas agora, prefiro apenas me sentar ao seu lado, permanecer em silêncio e olhar para o horizonte. E ficar aqui, pelo tempo que você quiser.
Queria dizer que tudo vai ficar bem, mas você já sabe disso.
Queria dizer que o pior já passou, mas isso não é verdade.
Queria dizer que a vida é difícil mesmo, mas não acho que isso te animaria.
Preferi me calar.
Um suspiro longo e você me olhou como se agradecesse por algo, mesmo sabendo que eu não havia feito nada. Mas eu estava ali. Tive vontade de dizer isso em voz alta e dizer que sempre estaria ali. Mas pude ver pelo seu olhar que você já sabia disso. E conclui que por enquanto isso é o suficiente.
Mais tarde, vou te lembrar do quanto você é forte. Vou te lembrar de todas as coisas que já fez e tudo pelo que já passou. E vou dizer o quanto te admiro.
Mas agora, prefiro apenas me sentar ao seu lado, permanecer em silêncio e olhar para o horizonte. E ficar aqui, pelo tempo que você quiser.
segunda-feira, 28 de setembro de 2009
Hoje.
Sei que a vida não é perfeita. Sei que ainda tenho muitas decisões difíceis a tomar e sei que não tenho todo o tempo do mundo. E eu sei, melhor do que ninguém, que o tempo passa rápido demais.
Mas hoje eu não vou pensar nisso.
Hoje eu não quero pensar nas incertezas do futuro, nem na coragem que precisarei ter, nem nas minhas supostas obrigações. Não quero pensar nas minhas inseguranças, não quero pensar no medo, não quero pensar nas dúvidas. Hoje eu não vou pensar em nada que me faça sentir perdida.
Hoje eu só quero sair lá fora e sentir o sol no meu rosto. Só quero ficar perto das pessoas de quem eu gosto. Só quero ouvir aquela música que me faz sentir bem. Hoje eu só quero ver a parte boa das coisas. Comer um doce, jogar conversa fora, escrever e dar risada.
Hoje eu vou sorrir.
"Mas e o resto?" Ah, deixa o resto pra amanhã. Amanhã eu penso nisso, amanhã eu penso.
Mas hoje eu não vou pensar nisso.
Hoje eu não quero pensar nas incertezas do futuro, nem na coragem que precisarei ter, nem nas minhas supostas obrigações. Não quero pensar nas minhas inseguranças, não quero pensar no medo, não quero pensar nas dúvidas. Hoje eu não vou pensar em nada que me faça sentir perdida.
Hoje eu só quero sair lá fora e sentir o sol no meu rosto. Só quero ficar perto das pessoas de quem eu gosto. Só quero ouvir aquela música que me faz sentir bem. Hoje eu só quero ver a parte boa das coisas. Comer um doce, jogar conversa fora, escrever e dar risada.
Hoje eu vou sorrir.
"Mas e o resto?" Ah, deixa o resto pra amanhã. Amanhã eu penso nisso, amanhã eu penso.
terça-feira, 15 de setembro de 2009
Finidade.
- Acho que é uma mariposa.
Ela discordou.
- É uma borboleta. As mariposas mantém as asas abertas quando pousam, as borboletas fecham as asas. - Ela se aproximou da borboleta até quase tocá-la. Era tão bonita que só não a tocou por medo de assustá-la. - Pena que só vivem algumas semanas...
- Não sabia que você entendia de borboletas...
Ao ouvir aquelas palavras, ela ficou pensativa por alguns segundos.
Pensou na felicidade, aquele castelo de cartas pronto para desabar a qualquer momento.
Pensou nos dias perfeitos de sol e sorrisos.
E pensou naquele sentimento bonito que habitou sua alma por tanto tempo e que agora não estava mais lá.
Declarou, por fim:
- Eu entendo do que é efêmero.
E não estava se referindo às borboletas.
Ela discordou.
- É uma borboleta. As mariposas mantém as asas abertas quando pousam, as borboletas fecham as asas. - Ela se aproximou da borboleta até quase tocá-la. Era tão bonita que só não a tocou por medo de assustá-la. - Pena que só vivem algumas semanas...
- Não sabia que você entendia de borboletas...
Ao ouvir aquelas palavras, ela ficou pensativa por alguns segundos.
Pensou na felicidade, aquele castelo de cartas pronto para desabar a qualquer momento.
Pensou nos dias perfeitos de sol e sorrisos.
E pensou naquele sentimento bonito que habitou sua alma por tanto tempo e que agora não estava mais lá.
Declarou, por fim:
- Eu entendo do que é efêmero.
E não estava se referindo às borboletas.
quarta-feira, 2 de setembro de 2009
Reflexo.
Era um dia no meio de agosto. Estava distraída com meus planos e sonhos, um punhado de frases iniciadas com "E se..." quando pude ouvir o barulho que vinha lá de fora. Franzi o cenho e procurei uma janela. Era a chuva batendo no vidro. Encarei as gotas por algum tempo com uma estranheza e seriedade incomum.
Eu não sorri.
Era um dia bem no meio de agosto e estava chovendo.
Mais tarde, o repórter na televisão mostrava uma rua inundada. E no outro dia todos diziam sua opinião sobre o assunto. "É o aquecimento global.", diziam alguns. "É o começo do fim".
Não, não é.
No momento em que vi as gotas de chuva, soube imediatamente o que aquilo significava. Aquilo era o mundo me dizendo que eu não sei coisa alguma sobre a vida. Era a vida me dizendo que eu não sei coisa alguma sobre o mundo. A chuva que sempre me trouxe alívio, fez-me sentir perdida.
Naquele dia houve sol, houve chuva, mas não houve arco-íris. E depois da tempestade, quando olhei para cima, não havia cor nenhuma no céu. Diante de mim, apenas uma imensidão vazia. Dentro de mim, um perfeito reflexo.
Eu não sorri.
Era um dia bem no meio de agosto e estava chovendo.
Mais tarde, o repórter na televisão mostrava uma rua inundada. E no outro dia todos diziam sua opinião sobre o assunto. "É o aquecimento global.", diziam alguns. "É o começo do fim".
Não, não é.
No momento em que vi as gotas de chuva, soube imediatamente o que aquilo significava. Aquilo era o mundo me dizendo que eu não sei coisa alguma sobre a vida. Era a vida me dizendo que eu não sei coisa alguma sobre o mundo. A chuva que sempre me trouxe alívio, fez-me sentir perdida.
Naquele dia houve sol, houve chuva, mas não houve arco-íris. E depois da tempestade, quando olhei para cima, não havia cor nenhuma no céu. Diante de mim, apenas uma imensidão vazia. Dentro de mim, um perfeito reflexo.
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